Do Oriente a Jerusalém, e desde aí a Belém, caminham uns Magos, em busca do rei dos judeus, “o rebento” acabadinho de nascer! No coração de uns Magos, arde serena uma Estrela secreta, que os guia, por entre sinais, ao Presépio de Belém, ao rosto do verdadeiro Deus, a quem desejam ver e adorar! Apetece-nos perguntar: Que tipo de pessoas eram afinal os Magos? E que tipo de pessoas encontraram eles ao longo do seu caminho, na sua busca do verdadeiro rosto de Deus?
1. Os Magos eram, provavelmente, sábios que perscrutavam os céus, não como quem procura «ler» o futuro nos astros e com isso fazer sucesso e adivinhação; eram sobretudo homens «à procura» de algo mais, em busca daquela verdadeira luz, capaz de indicar o caminho a percorrer na vida! Eram pessoas, que sabiam olhar o firmamento, convictas de que, na obra da criação, nos céus e na terra, existe uma espécie de «assinatura» das mãos de Deus, que o homem pode e deve procurar descobrir e decifrar! Sábios, como eram, os Magos estavam conscientes de que não é com um telescópio qualquer, mas com os olhos da razão, em busca do sentido último da realidade, e com o desejo de Deus, impelido pela fé, que é possível encontrar Deus! Ou melhor, que só assim é possível deixar Deus aproximar-se de nós!
2. Mas que tipo de pessoas, encontraram os Magos, ao longo da sua busca de Deus?
Em primeiro lugar, encontraram o rei Herodes! Herodes é um homem do poder, que no próximo só consegue ver um rival a combater, um inimigo a abater. Até Deus lhe parece um rival, um rival particularmente perigoso, que gostaria de privar os homens do seu espaço vital, da sua autonomia, do seu poder. Mas não. No Menino de Belém revelar-se-á um Deus, que é o Amor todo-poderoso, um Deus que nada tira, não ameaça; aliás é o Único capaz de nos oferecer a possibilidade de viver em plenitude e de sentir a verdadeira alegria!
Em segundo lugar, os Magos encontram os príncipes dos sacerdotes e escribas, os teólogos especialistas, que sabem tudo sobre as Sagradas Escrituras, que conhecem as suas possíveis interpretações, que são capazes de citar de cor cada um dos seus textos, e que, por conseguinte, deviam ser uma ajuda preciosa, para quem quer percorrer o caminho de Deus. Contudo, eles gostam de ser guias para os outros, indicam a vereda, mas não caminham, permanecem imóveis. Para eles, as Escrituras tornam-se uma espécie de atlas a ler com curiosidade, um conjunto de palavras e de conceitos a examinar e sobre o qual debater com sabedoria. Mas não um guia seguro, que nos indica o caminho, para alcançar a vida!
Mas, do princípio até ao fim, os Magos vão guiados por uma Estrela! Ela não representa mais do que a cintilante luz da razão e da fé, a brilhar no coração inquieto dos Magos, que andam em busca do rosto de Deus! Assim, a linguagem dacriação, dos astros e das estrelas, permitiu a estes Magos percorrer um bom pedaço do caminho rumo ao divino, mas não lhes concedeu a luz definitiva. Para os Magos era indispensável ouvir a voz das Sagradas Escrituras: unicamente estas lhes podiam indicar o caminho. A Palavra de Deus é afinal a verdadeira Estrela que, na incerteza dos discursos humanos, lhes oferece o imenso esplendor da verdade divina!
3. Queridos irmãos e irmãs: deixemo-nos então guiar pela estrela, que é a Palavra de Deus; sigamo-la na nossa vida, caminhando com a Igreja, onde a Palavra armou a sua tenda. A nossa senda será sempre iluminada por uma luz, que sinal algum nos pode oferecer. E assim também nós poderemos tornar-nos estrelas para os outros, reflexo daquela luz, que Cristo fez resplandecer sobre nós!
Fonte: ABC da Catequese, em 04 de Janeiro de 2012